Criação de conteúdo e marca pessoal

Rodrigo G. Gomes

Presença online é essencial para o sucesso de um autor ou de uma autora. Um site e, pelo menos, um canal de YouTube para criação de conteúdo. Isto que já há algum tempo deixou de ser difícil de concretizar. Um site acaba por ser um investimento, mas um canal do YouTube não só é gratuito como também é uma plataforma frequentada por todos, e o conteúdo pode ser facilmente criado com um telemóvel.

Os maiores problemas de novos autores/as, quando tentam começar, focam-se em questões como: “então, mas o que é que faço? Que temas é que faz sentido abordar nos meus vídeos?” ou conflito interno que vem do medo de falhar, julgamento ou exposição. Vamos resolver tudo isto para que possas começar já.

Que temas é que faz sentido abordar nos meus vídeos?

O que quer que seja que faz sentido para ti. Qualquer que seja o tema que gostas de abordar no teu dia-a-dia com pessoas próximas. A parte interessante é que tu podes associar tudo o que faz de ti quem tu és ao teu conteúdo que, por sua vez, está direta ou indiretamente ligado aos teus livros porque ambos são produtos de quem tu és.

A minha escrita serve como uma forma de me explorar enquanto humano e enquanto pessoa. Então, eu estou, no fundo, a explorar comportamento humano e psicologia enquanto escrevo poemas ou conto histórias que exploram o lado bizarro da nossa natureza. É o que eu gosto.

Então, além do óbvio (falar sobre escrita e autoria), eu falo sobre comportamento humano e psicologia nos meus vídeos. Abordo temas, experiências pessoais e aprendizagens dentro da experiência humana: relações, comportamentos, emoções e pensamentos. Exploro isso dentro da poesia e dentro de histórias contadas através de cinema ou livros (terror, de preferência), música (metal, de preferência) ou até videojogos.

O meu foco é a experiência humana. Esta é, no fundo, a minha marca pessoal enquanto autor. São estes os temas que exploro dentro do todo que é o humano, e através deles partilho as minhas crenças e os meus valores pessoais. É uma “marca pessoal” porque a minha “marca” sou eu. Pura e simplesmente. Eu mostro quem eu sou. Não preciso de nenhum marketing expert para me ajudar com isto.

O teu foco pode ser qualquer coisa. Por exemplo, se gostas de cozinhar além de escrever livros, podes associar o teu gosto pela culinária à tua “marca” pessoal. Talvez até tenhas já escrito livros de culinária. Vídeos em que estás a cozinhar ou a almoçar e a comentar sobre alguma notícia que tenhas visto sobre algum outro tema que te interessa.

Outro exemplo: se escreves livros dentro do mundo financeiro, podes fazer vídeos onde falas sobre a situação atual do mercado de ações, comentas notícias ou explicas como funciona algo específico, enquanto viajas num jato privado a caminho de uma reunião de negócios.

Literalmente qualquer coisa é válida, desde que seja genuíno. Desde que seja parte de quem tu és e parte da tua vida. O nível de simplicidade ou complexidade do teu conteúdo depende de ti. Chega a ser libertador.

Essa é a tua marca pessoal.

E o teu conteúdo pode até começar de forma simples, e pode até nem ter uma qualidade de imagem excecional, mas o que importa é começar. Só podes evoluir conteúdo que já estás a fazer. Só podes evoluir aquilo que já existe.

E, acima de tudo, certifica-te de que crias algo de valor. Algo que acrescenta ao mundo e à vida das pessoas.

És livre de fazer e dizer parvoíces à frente de uma câmara para teres atenção, e se calhar até vais mesmo ter atenção. Mas ninguém, dentro do mundo literário e da autoria, te vai levar a sério. Aliás, ninguém te vai levar a sério.

O processo pode ser… longo.

Algo que é importante de salientar é o facto de que se trata de um processo. Ninguém começa a criar conteúdo e fica bom nisso em dois dias. Ninguém começa a criar conteúdo e ganha dezenas de milhares de subscritores em duas semanas. Ninguém alcança nada de valor em pouco tempo.

E a qualidade do conteúdo está diretamente ligada ao crescimento do canal e ao crescimento de uma audiência. Durante muito tempo, estás a falar somente com uma câmara, porque ninguém está a ver. E isso é bom. Dá-te tempo e espaço para fazeres vídeos horríveis, porque, sem eles, não consegues desenvolver a habilidade de fazer vídeos incríveis. Faz, simplesmente, parte do processo.

A maioria das pessoas desiste em menos de um ano. E um ano, na maioria das vezes, não é suficiente. É um processo longo. O algoritmo tem de entender com quem é que estás a falar e de que é que estás a falar. E ele só consegue entender isso através do conteúdo que está feito e público. Independentemente de quantas visualizações um vídeo tem.

Podes sempre facilitar a vida ao algoritmo através, precisamente, dos teus títulos. Por exemplo: eu, através das estatísticas dos vídeos (que é importante de acompanhar), reparei que tinha bastantes brasileiros a ver os meus vídeos. Mas eu estou a falar com portugueses de Portugal, não estou a falar com pessoas do Brasil. Então, comecei a mencionar Portugal mais vezes nos vídeos e nos títulos.

O que é importante é desenvolveres a habilidade de criar boas capas (ou thumbnails) e títulos para os vídeos, assim como a tua habilidade de criar um vídeo cativante, interessante e valioso do início ao fim. E isso só vem com a experiência.

Entende o que funciona e o que não funciona. Vê vídeos dos teus criadores favoritos, vê os primeiros vídeos deles, vê há quanto tempo começaram e vê como evoluíram. Inspira-te nos títulos e nas capas deles. Repara na forma como te prendem do início ao fim, talvez através da edição do vídeo ou da forma como contam uma história.

Nós, enquanto humanos, adoramos ver pessoas que sabem contar uma história a contar uma história. E isso é algo que se aprende com a experiência.

Consome conteúdo educativo também, sejam vídeos sobre equipamento de vídeo ou sobre a construção de um cenário interessante, gravação ou edição de conteúdo, etc. Aprende, experimenta, vê o que funciona contigo e evolui.

O teu único objetivo neste momento é aprender como é que se faz. Não tens sequer de fazer vídeos todos os dias no início. Fazes um vídeo por semana. E, a cada um, aprendes algo novo e implementas seja sobre a gravação ou a edição.

Não olhes para o número de subscritores ou visualizações até teres pelo menos 100 vídeos feitos e públicos. E todos eles têm de te incluir à frente da câmara ou a fazer voiceover, não faças qualquer coisa só para dizeres que fizeste. O objetivo é fazer para aprender. Faz um esforço.

Podes, por exemplo, gravar numa quarta feira, editar na quinta e na sexta, e publicar no sábado. Segunda e terça dedicas a consumir conteúdo para aprenderes coisas novas para experimentares nos dias seguintes.

Portanto, começa primeiro. Não pares até teres uma audiência. Depois, não pares até teres livros teus a voarem do teu site enquanto recebes o devido e merecido retorno financeiro pelo teu trabalho. Depois, não pares.

O propósito de criares conteúdo no YouTube não é para fazeres dinheiro com visualizações (apesar de que isso é eventualmente possível), o teu objetivo é criares conteúdo interessante de forma a criares uma audiência, uma comunidade, e apresentares os teus livros e quem tu és ao mundo. O objetivo é trazeres essa audiência para o teu site e mostrares aquilo que fazes a quem está mais interessado em conhecer. O teu site é o teu mundo.

Se ainda não sabes criar um site onde podes vender os teus próprios livros, eu recomendo o Shopify. Eu considerei escrever um texto para servir de guia, mas a verdade é que a plataforma está sempre a evoluir e as coisas mudam. Mas é intuitivo, acessível, e há vários guias no YouTube que podes seguir facilmente.

Se, ainda assim, escrever um texto relacionado com a criação ou manutenção de um site ou loja online (que é isso que o Shopify oferece, além de um blog), eu adiciono aqui uma ligação.

Ultrapassa o medo do fracasso, julgamento e exposição…

Aquilo que realmente vai dificultar o teu processo não é falta de tempo, é o medo desse esforço ser em vão, é o medo de falhar, é o medo de quem te vai julgar (porque toda a gente que não tem a tua coragem tem inveja e processa isso através de críticas destrutivas porque lhes faz bem ao ego), e o medo da exposição.

Vamos por partes. Primeiramente, o medo de falhar ou de ver que todo o tempo ou todo o esforço dedicado à criação de conteúdo foi em vão. Deixa-me perguntar-te o seguinte: a autoria é genuinamente importante para ti? É o que queres dedicar a tua vida a fazer? Então, dedicar tempo e esforço a fazer as coisas acontecerem nunca é em vão. Nem em caso de fracasso, porque um fracasso é uma tentativa.

Medo de falhar todos nós temos em tudo o que é importante para nós. Nós nunca temos medo de falhar em coisas que não são importantes para nós. E nós só realmente falhamos quando paramos de tentar alcançar o que é importante para nós.

Não existe sucesso sem fracasso. Não existe. Falhar faz parte do processo. O teu caminho está livre assim que entenderes e aceitares que falhar não define nada. Não define quem tu és, não define o teu presente, não define o teu futuro, não define o teu talento, e não define o teu valor. Desistir, no entanto, define tudo.

Define toda a tua vida e toda a tua identidade. Define quem tu vais ser quando estiveres perto da morte: um ser atormentado por arrependimentos que sabe que desistiu. Desistiu do que era importante para si porque decidiu dar ouvidos a emoções temporárias.

Muitas vezes, achamos que o medo de falhar está diretamente ligado ao medo do julgamento, porque acreditamos que vamos ser vistos como fracassos, ou que se vão rir de nós, mas o julgamento vem de qualquer maneira. O julgamento vem quando falhamos, vencemos ou quando sequer tentamos.

O julgamento só vem de quem não tenta. O julgamento só vem de quem é inferior a ti. Só vem de quem é cobarde. Só vem de quem está desocupado de tão ocupado que está com a vida dos outros. Só vem de quem não tem sequer capacidade de compreender o que estás a fazer.

E pode doer um bocadinho, mas muitas vezes isso até vem de membros de família. Mas até nesse caso não é tão importante como aquilo que estamos a construir.

Portanto, dar ouvidos ao medo do julgamento ainda é uma perda de tempo maior do que dar ouvidos ao medo de falhar. Não faz sentido. Por isso, vamos então falar sobre o medo mais importante de todos: o medo da exposição.

Sabes pelo quê que nós, enquanto humanos, somos mais aterrorizados? Pela ideia de sermos deixados de parte. Abandonados. Ridicularizados. Exilados da aldeia, porque há lobos lá fora e isso significa morte certa. Sabes o que é mais interessante? Se olharmos à nossa volta, vemos que… não há lobos.

Aliás, nós chegámos ao ponto de termos medo de uma simples discordância. Nós queremos pertencer ao rebanho. Nós queremos pertencer a uma tribo, simplesmente porque ainda temos uma mente de primata. É um facto.

Expormos uma ideia, uma crença ou um valor é um risco. Estamos a expor a nossa identidade, estamos a expor quem nós somos ao mundo. Sabemos que isto faz de nós um alvo fácil, alguém que pode vir a ser levado para a fogueira.

Mas tu tens uma arma de fogo que toda a gente que não é cobarde tem: liberdade de expressão. E quando tens uma arma de fogo, podes atirar naqueles que estão com as tochas na mão. É em legítima defesa.

A nossa audiência é composta por quem se junta a nós para falar do que queremos falar. É a nossa tribo. É quem nos apoia, é quem está connosco. São os nossos leitores e as nossas leitoras. São outros autores e outras autoras. É com essas pessoas que estamos a falar, quem está a ouvir de fora não é importante. É irrelevante.

E a verdade é que o rebanho é maioritariamente composto por aqueles que julgam, não é por aqueles que criam e que querem seguir o trabalho de alguém genuinamente por acrescentar à própria vida. Não é, com certeza, composto por autores e autoras com algo de valor para oferecer ao mundo.

A nossa escolha é termos voz e alcançarmos o que queremos alcançar, ou sermos futuros cobardes arrependidos.

Até porque não precisamos de responder ou sequer dar atenção ou importância a quem julga ou a quem se aproxima com as tochas na mão. Somos superiores a isso. E a verdade continua a ser a verdade independentemente do que é agora “normal” acreditar.

O que nós acreditamos é o que nós acreditamos. O que nós valorizamos é o que nós valorizamos. E está tudo bem. Temos esse direito. E está tudo bem se estivermos errados. Somos adultos. Podemos rever as nossas crenças e chegar às nossas conclusões.

Revela, com orgulho, quem tu és ao mundo. Mostra-te. És uma pessoa. És um humano com um rosto e uma voz. Porquê que haveria isso de ser errado ou, de alguma maneira, mau? Diz, com orgulho: “Eu acredito nisto.”

Repara como não acontece nada. Repara como é permitido. Repara como não há lobos nem gente com tochas em lugar algum. E mesmo que apareçam, tu sabes o que fazer: agir como um adulto, assumir a responsabilidade e, se necessário, atirar em quem te quer queimar. O rebanho é chato de qualquer maneira. Não é importante.

Envia-me o teu canal: rodrigo@rodrigoggomes.com

Deixa no assunto do email o que é só para eu saber…

Fico à espera.